segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O amor medido em lágrimas


Sim, eu acredito no amor. Não no amor de alianças de compromisso, nem no amor medido em ouro ou em tempo ou em número de filhos. Acredito no amor medido em lágrimas. No amor que nos faz soltar gargalhadas, rolar na cama e chorar de rir. Mesmo que de vez em quando a gente chore de tristeza, das oito ao meio-dia.
Nossa, eu acredito no amor. Cada dia mais eu percebo o quanto acredito e o quanto ele sobrevive a anos, a brigas, a diferenças. Ele sobrevive, mesmo quando tudo em nós nos diz para desistir. Nós continuamos. E, mais do que continuar, às vezes nós bancamos as desentendidas, as panacas, e continuamos a fazer de tudo para aquele objeto de nosso amor que às vezes nem corresponde.
É, eu acredito no amor. E acredito que ele vença dificuldades. E acredito que ele pode ser visto nos olhos marejados de quem ama. Só não acredito que sozinho ele seja suficiente.
Amor é sofrido, doloroso, egoísta. Ou os humanos que amam é que são isso. Mas o amor que dura é aquele que consegue se desvencilhar do egoísmo de vez em quando. É aquele que cede, que se dobra, que se faz altruísta. É o amor que cozinha a janta todas as noites, que espera acordado no frio, que chora das oito ao meio-dia. Porque o amor de alianças de compromisso, de ouro... Esse amor faz cálculos, e não lágrimas.
E eu quero para mim o amor simples da janta e das lágrimas. Quero o amor de vocês, mesmo que pareça não funcionar. Eu quero aquele brilho nos olhos marejados. E, quero, principalmente, ver esse amor de vocês funcionar, prosperar, aguentar. Por favor.

Blaze, that's a tough guy name. Are you a tough guy?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ovelhinhas de Sonho


Ontem, era meia noite e meia, e o céu estava cheio de nuvens pequeninhas, floquinhos de algodão doce, ovelhinhas de sonho.
O céu parecia incrivelmente perto ontem à noite. E, bem, se até o céu parecia fácil de alcançar, será que não são fáceis de alcançar também todos estes meus sonhos?

sábado, 14 de novembro de 2009

Espero que meus filhos...


Pessoas inteligentes demais me assustam.
Não quero dizer as pessoas geniais, porque os gênios tem seu lado poético, sua maneira de extravasar.
O que realmente me assusta são as pessoas corretas demais, disciplinadas demais, estudiosas demais. Aqueles que não tem nenhuma válvula de escape. Alguma hora, esse tipo de maluco aí surta e eu realmente não espero estar por perto para ver.
Claro, disciplina é necessária, estudo é fundamental e honestidade é imprescindível. Frase ótima para dizer aos filhos. Mas realmente espero que eles tenham a chance de quebrar uma ou duas regras durante a vida. Realmente espero que tenham amigos conscientes e um pouco malucos com quem falar bobagens durante a fervilhação de hormônios da adolescência. Realmente espero que quebrem o coração quando forem realmente jovens, só para depois conhecerem o amor verdadeiro e senti-lo no mais fundo de todas as veias e entranhas. Realmente espero que vão mal naquela prova para a qual não estudaram nada, e que escondam a nota de mim, até que estudem como condenados para a próxima e levem aquela nota quase como uma luta pessoal. Realmente espero que leiam meus livros escondidos, que morram de medo e vergonha e vontade. Realmente espero que encontrem alguém especial com quem dividir os momentos reveladores entre quatro paredes, mesmo que doa na primeira vez e dê vergonha daquela manchinha ou daquela barriguinha que sobra.
Espero que os filhos que terei um dia descubram que a beleza da vida está nas coisinhas pequenas que a gente partilha com brilho, coragem e paixão. Espero que eles percebam que, às vezes, o que parece mais ou menos é muito mais legal do que o topo solitário (antes os campos floridos do que os montes gelados, ainda que a vista do alto seja a mais bela).
E, se eles forem geniais em alguma coisa, espero que encontrem sua (saudável) válvula de escape!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Coragem


De vez em quando eu me pego pensando nos dois maluquinhos que fugiram de casa para viver na praia pescando. Não sei. Não sei se faria o mesmo que eles. Não sei se ia querer que um filho meu aprontasse uma dessas. Não sei se acho eles legais ou irresponsáveis. Mas queria ter a coragem que eles tiveram. (Não a burrice, porque uma vara de pescar comprada com o cartão de crédito da mami não é a coisa mais inteligente para se fazer se você quer fugir e não ser descoberto.)
Queria ser corajosa desse jeito. Talvez apenas para ter uma história legal para contar para os meus netos (até porque eu não nasci exatamente pra viver de pesca). Ou, talvez, só para "assustar o mundo". Para mostrar do que eu sou capaz, e para que as pessoas percebessem o quanto são simples e pequenas as reivindicações que eu faço agora.
Queria ser corajosa. Queria saber mandar tudo para o alto. Queria saber gritar aos sete ventos meus desejos e minhas dores e fazer o mundo percebê-las e obedecê-las.
E eu que pensava que dinheiro e maioridade mudariam minha vida. E eu que pensava que um dia seria recompensada por ser sempre uma boa garota. E eu que pensava que as coisas mudariam depois de tanto tempo. E eu que pensava que amor bastaria. E eu que pensava que o amor que dizem sentir por mim era o suficiente para permitirem minha felicidade. E eu que pensava que poderiam existir amizade e compreensão...
Compreensão é uma mentira. E esperança é outra, maior ainda.
Acho que agora, só me adiantaria mesmo a coragem. Mandar tudo para o inferno e fugir como os dois abobadinhos da enchente lá... Nem que fosse apenas para ser encontrada no dia seguinte.

Olha os dois maluquinhos aqui...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dias de Lagartixa


Queria que meus dias fossem sempre de lagartixa. Ou melhor, fossem sempre daquela lagartixa que há dentro de mim, a qual atropelam vez após outra e, ainda assim, o rabo dela volta a crescer. Daquela lagartixa híbrida, que tem cores de salamandra, uma cartola e uma bengala e passa os dias dançando. Aquela lagartixa maluca que vive dentro da minha alma. A lagartixa maluca que É a minha alma.
Queria dias de lagartixa porque são dias inspiradores. São dias que não se repetem. E não se repetem não porque eu tenho uma vida realmente desafiadora e faço cada dia uma coisa diferente. Eles não se repetem pelo simples fato de que essa lagartixa não deixa que o mundo pare de surpreendê-la.
Essa lagartixa não dispensa as longas conversas sem sentido ao telefone, não dispensa declarações de amor repetidas, não dispensa abraços e sorrisos e surpresas. Não dispensa música alta e cores para se vestir. Não dispensa conforto e não dispensa sonhos. Não dispensa a monotonia... Mas simplesmente não deixa que ela esconda o brilho de um dia após o outro.

Aprende o Kama Sutra que eu alivio a sua tensão... xD