"E apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos;
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais."
É, no fim das contas, a vida se resume apenas a isso. Nós contestamos, lutamos, brigamos e gritamos. Mas chega um ponto em que só o que fazemos é achar um amor, casar e ter filhos. Às vezes, somente casar e ter filhos. Às vezes, somente achar um amor e casar. Às vezes, ter filhos, casar, separar, achar um amor, casar de novo e assim vai... Ainda existem divergências sobre qual a ordem correta.
No fim das contas, nós acabamos vivendo a mesma vida que assistimos nossos pais viverem. E, quando temos nossos filhos, só repetimos tudo o que foi feito de nós. Os mesmo sonhos, os mesmo acertos, os mesmo erros.
Acho que isso me apavora um pouco. Ao mesmo tempo que me tranquiliza.
Já escrevi por aqui que tudo o que eu queria era uma vida confortável e paixão. E talvez seja verdade. Talvez não. Talvez eu queira viver a vida que assisti viverem. Talvez eu queira fazer tudo diferente, fugir para o Caribe e viver de escrever romances que vão ser publicados pela Reader's naquele formato "Sabrina".
Talvez eu queira, mas eu sei que não tenho a coragem.
Provavelmente porque já consegui o primeiro daqueles três passos.
Já escrevi por aqui, também, que o amor muda as pessoas. O amor, não a paixão. O amor nos deixa acomodados, nos faz aprender a gostar de cobertas de lã e filmes noir.
Mas não é essa a questão hoje.
Hoje, a questão tem mais a ver com Elis Regina e Bob Dylan.
E minha palavras não chegam nem aos pés das deles.
"Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina.
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós, que somos jovens.
(...)
Mas é você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem."
"Come mothers e fathers troughout the land
And don't criticize what you can't understand.
Your sons and your daughters are beyond your command.
Your old road is rapidly aging."
Talvez (realmente espero que sim), quando chegar a minha vez de ter a minha vida de verdade, eu tenha a coragem de fazer diferente. Entender que os tempos mudaram, criar meus filhos como pessoas de mente e coração abertos. E, talvez, isso não dê certo. Mas prefiro a possibilidade de acerto do que a certeza de erro.
Meu deus, eu escrevo como uma velha!